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| Escrito por Administrator | |
| Terça, 13 Maio 2008 17:06 | |
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MANIFESTO POR UMA “GERAÇÃO DE IDEIAS”
A iniciativa “Geração de Ideias” responde a uma necessidade vital do país. Passados os impulsos modernizadores motivados pela Democracia e pela adesão à União Europeia, é essencial assegurar um novo impulso assente na iniciativa, nas ideias, na determinação e na acção dos portugueses. Queremos ser uma “Geração de Ideias”, apta a gerar ideias e conhecida pelas suas ideias. Mas também uma “Geração de Acção”, que trabalha para as concretizar, no quadro de uma esquerda progressista que valoriza as pessoas, a iniciativa, a solidariedade social e uma atitude afirmativa perante o mundo. Ambição e acção A “Geração de Ideias” tem a ambição de recolocar Portugal na rota da convergência com as sociedades mais desenvolvidas. Assume uma atitude de acção e de transformação da realidade. Afirma os valores do mérito, da iniciativa, da criatividade, do empreendedorismo e do esforço individual. Contrapõe à mediania o gosto pelo risco e a ambição pelo sucesso. Procura e ambiciona a excelência. É cosmopolita na vivência, na reflexão e na acção. Rejeita o fatalismo, o conformismo e o pessimismo. Acredita que o desenvolvimento só se consegue se estiverem abertas, a todos os cidadãos, mais oportunidades. A “Geração de Ideias” assume a complexidade das realidades, das transformações e dos avanços sociais. Advoga que pensamento, trabalho e acção - profundos, sistemáticos e colectivos - são indissociáveis e são a única resposta aos desafios com que nos confrontamos. Rejeita a superficialidade, o simplismo e a inconsequência como forma de intervenção. A “Geração de Ideias” rejeita assim os arautos da desgraça colectiva, que se comprazem com as dificuldades e com os bloqueamentos, numa postura cínica perante o país e as pessoas. Rejeita o messianismo, sempre à espera que outrem venha salvar aquilo que só a nossa acção pode resolver. Rejeita as soluções simples, a receita de ideias soltas, inconsequentes e incapazes de responder às complexidades do presente. Rejeita os que se rendem, sem luta, nas batalhas da modernidade. A isto, a “Geração de Ideias” contrapõe o optimismo próprio de quem acredita numa sociedade melhor, construída por quem tem a responsabilidade e a capacidade de o fazer: as pessoas, os portugueses. A “Geração de Ideias” recusa que nos digam que Portugal não pode ser. Convoca-se e mobiliza-se para a construção de um Portugal ganhador, à altura das ambições dos Portugueses, orientado para a modernidade e o futuro. Centralidade das ideias e da política A “Geração de Ideias” afirma-se pela centralidade das ideias e da política. Não há primado do económico ou do comunicacional sobre a política. Não há primado do global e desaparecimento do nacional. Há ideias e há política que se formulam hoje em diferentes planos de intervenção - global, regional, nacional e local –, na sua articulação e em novos contextos. Reconhecer esta realidade e dominar as formas de intervenção é essencial para compreender e agir na sociedade contemporânea. É assim que se faz o moderno debate das ideias e da política. Negá-lo, confinando os espaços de intervenção à esfera nacional é não compreender a realidade do nosso tempo. E é concluir, erradamente, pela secundarização das ideias e da política. A “Geração de Ideias” reconhece como centrais as várias formas organizadas de intervenção social que conhecemos, mas reconhece também que a moderna acção colectiva exige adaptações e novos espaços. Os espaços clássicos de intervenção – os partidos, os sindicatos, as associações – devem saber renovar-se, adequando-se aos novos tempos e formas sociais e comunicando com os novos espaços da acção colectiva. Mas não há organizações do passado. Há atitudes do passado. E são as atitudes do passado – o conformismo, o imobilismo, a resignação, a ausência de reflexão – que bloqueiam a acção política e que a esquerda progressista rejeita em todos os espaços. Não nos conformamos a não poder fazer política, a não poder dar uma boa ideia, a não ter iniciativa. Globalização, cosmopolitismo e modernização A “Geração de Ideias” encara com entusiasmo um mundo mais global, onde a partilha é maior e existe menos espaço para a limitação da informação e para formas de totalitarismo e autoritarismo assentes no medo e no desconhecimento. Encara como uma conquista a mobilidade e o derrube de fronteiras, a facilidade em conhecer novos mundos, novos povos e novas sociedades, porque a riqueza cultural também cresce com esse cosmopolitismo. Reconhece com clareza que, a retrocessos no mundo global, correspondem avanços no isolacionismo, no nacionalismo, na instabilidade e no risco de conflitos. No plano económico, a globalização também significa novas oportunidades de crescimento, de desenvolvimento, de iniciativa e de emprego. A liberdade de iniciativa e de realizar, a liberdade de circulação de pessoas, bens e capitais, a dimensão planetária da informação e da comunicação, a inovação tecnológica, as mutações na organização dos processos produtivos e o incremento do comércio mundial são processos essenciais a desenvolver e aprofundar. Porque com eles o mundo prospera sem conflitos generalizados, centenas de milhões de pessoas saíram da pobreza e têm hoje acesso ao desenvolvimento, e porque sem eles, como a história bem demonstra, aumentam os riscos de conflito e de exclusão. Somos pois contra os inimigos da globalização. Mas a “Geração de Ideias” também afirma, com clareza, que não é possível aceitar e continuar a assistir de forma passiva aos três riscos fundamentais da moderna economia global. O primeiro é o do predomínio da especulação financeira sobre a economia e o investimento, realidade geradora de instabilidades e consequências severas para as populações, ao mesmo tempo que corrói a liberdade de acção política dos estados e dos cidadãos. O segundo é o da exclusão de parte importante da humanidade, desde regiões e países inteiros (como parte significativa de África) a centenas de milhões de cidadãos nos países desenvolvidos, dos benefícios económicos e sociais da nossa era. O diferente posicionamento das regiões, dos países e dos cidadãos na moderna distribuição internacional do trabalho é gerador de exclusões inaceitáveis. O terceiro é o risco ambiental, de um crescimento económico feito à custa das condições de existência das gerações futuras naquilo que é mais básico: as condições ambientais para a vida no planeta. Somos pois contra os que defendem ou pactuam com uma “economia de casino”, insensível aos cidadãos e às suas aspirações, geradora de exclusões, alheada da sustentabilidade do desenvolvimento. É por isso que a “Geração de ideias” reconhece às políticas públicas – a nível global, regional e nacional - um papel indispensável na garantia de que crescimento económico significa sociedade de bem-estar para todos. Dar mais oportunidades a todos, dinamizar a economia de mercado, regulá-la e combiná-la com a indispensável dimensão social, é o que permite conciliar, de uma forma sustentada, a realização individual, a criação de riqueza, o aumento do emprego e a promoção do desenvolvimento. A “Geração de Ideias” assume a defesa prioritária dos compromissos do desenvolvimento sustentado e do combate à pobreza inscritos na Agenda do Milénio, na Agenda do “Trabalho Digno para uma Globalização Justa” e nos Compromissos Mundiais para as Alterações Climáticas. E assume a necessidade de novos compromissos na regulação financeira internacional, na reforma das instituições mundiais e na política comercial, pois é central, até para a sustentabilidade política das liberdades económicas, que os benefícios da economia de mercado e da globalização económica se traduzam na melhoria das condições de vida de todos. A “Geração de Ideias” é europeísta por convicção. Cresce e vive com a Europa como espaço central de pertença, de identidade e de desenvolvimento. Reconhece que a construção europeia é um processo e avanço únicos na história dos povos e que a Europa é, no quadro da globalização, “a região indispensável”. Rejeita pois as teses dos eurocépticos, mais ou menos explícitos ou saudosistas, que aspiram ao regresso da “velha-ordem” e à fragmentação económica e política do espaço europeu. E afirma a necessidade urgente de reforçar a consciência dos cidadãos quanto à centralidade da Europa e das suas instituições na formulação das opções políticas decisivas ao nosso desenvolvimento. A “Geração de Ideias” defende que a Europa se afirme como bloco de equilíbrio ao nível global, ao mesmo tempo que se afirma como o espaço mais avançado de crescimento e coesão social. Por isso quer uma Europa profundamente comprometida com a paz, com a renovação dos equilíbrios internacionais e com o desenvolvimento global, ao mesmo tempo que quer uma Europa profundamente comprometida com o investimento, com o emprego e com a coesão social. Ciência e conhecimento A “Geração de Ideias” reconhece a ciência e o conhecimento como elementos centrais do progresso da humanidade. Tem sido assim ao longo da história, e continua a ser assim no presente. A nossa época encontra-se marcada por rupturas profundas nas várias esferas da vida social, ditadas pelos avanços na ciência e no conhecimento. Revoluções como a das tecnologias de informação e comunicação e das novas tecnologias de produção mudam profundamente os mundos do trabalho, da vida social e da acção colectiva. E estão em marcha novos avanços de igual ou superior profundidade, da investigação nas áreas da energia e da biologia molecular, às rupturas e interacções entre as biociências e as nanotecnologias. A estes avanços a “Geração de Ideias” adere de forma entusiasta e reconhece que colocam constantes desafios à realidade social e à formulação das políticas públicas. Quer no sentido de os potenciar e acelerar, quer no sentido de lidar com as novas contradições sociais que geram. Desta centralidade da ciência e do conhecimento emerge o paradigma novo da necessidade de generalizar a cultura e prática científicas. A nossa capacidade de compreender e agir sobre a realidade, de tomar posição, exige o domínio da atitude, da cultura e das ferramentas da ciência. Não existe hoje uma diferença entre cientistas, trabalhadores e cidadãos. Todos hoje participam e devem participar na produção, gestão e aplicação do conhecimento, pois esta é a matéria-prima do desenvolvimento social. Desta forma, a aposta na qualificação e no conhecimento, na melhoria das competências e capacidades dos portugueses, é, seguramente, a prioridade central que a “Geração de Ideias” defende para as políticas nacionais. Igualdades e cidadania A “Geração de Ideias” afirma a igualdade como um valor fundamental do Portugal Moderno, porque uma sociedade mais igual é uma sociedade de cidadãos mais livres. Defende uma acção radical de ruptura com as desigualdades, pois só assim se dará resposta às aspirações de liberdade e de democracia dos portugueses, e só assim se libertará o nosso potencial de iniciativa e de criação. A “Geração de Ideias” defende com intransigência a igualdade de oportunidades para todos, independentemente da sua origem ou do seu ponto de partida. Assume que é função primeira do estado moderno dar oportunidades a todos os cidadãos, para que estes desenvolvam o seu potencial e realizem as suas ambições. Por isso reconhecemos o espaço insubstituível das políticas públicas na educação e formação, na saúde, na protecção social ou no acesso à cultura, e a necessidade destas combaterem de forma radical as desigualdades e as exclusões. Mas a “Geração de ideias” vai mais longe: defende o valor da igualdade em si mesmo, porque uma sociedade só é digna desse nome quando não deixa para trás aqueles que não estejam em condições de aproveitar as oportunidades disponíveis. A sociedade não é a soma dos indivíduos ou dos resultados da iniciativa individual. É construída sobre os valores da equidade, da solidariedade e da justiça redistributiva. Por isso a “Geração de ideias” defende intervenções activas e novos caminhos nas políticas públicas de promoção da igualdade, nomeadamente na política de rendimentos, na política fiscal e na protecção social. Um renascimento da centralidade do bem-estar social, como a expressão da satisfação dos direitos de todos os indivíduos, e do papel da mão visível do Estado, como resposta colectiva de regulação dos desconcertos das mãos invisíveis, é o que idealiza a “Geração de Ideias”. A liberdade e riqueza de uma sociedade também resulta das opções individuais de cada um, da sua criatividade e das suas próprias opções. Uma sociedade que sabe conviver com a diferença e reconhecê-la é uma sociedade mais rica e inclusiva. Ao longo de séculos assistimos a desenvolvimentos e evoluções notáveis em numerosas áreas. Desde a eliminação da escravatura ao reconhecimento do papel da mulher, passando pela universalização do direito de sufrágio, a sociedade fez progressos notáveis. Mas há ainda temas a debater, que não devem ser “tabu”, numa sociedade que cada vez mais deve reconhecer e conviver com a sua evolução e as suas diferenças e especificidades. É incontornável a discussão dos avanços sociais a produzir nos direitos e liberdades dos cidadãos, para a concretização alargada das suas opções individuais, e para a remoção de todas as formas de discriminação. |
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| Actualizado em ( Quinta, 29 Maio 2008 18:00 ) |